
O concreto convencional é o material mais empregado na construção civil brasileira. Trata-se do concreto de cimento Portland, água, agregado miúdo (areia) e agregado graúdo (brita), com consistência plástica, destinado à maioria das estruturas correntes de edificações, como fundações, pilares, vigas e lajes. Apesar de ser considerado um concreto simples, sua produção segue critérios técnicos rigorosos para garantir resistência, durabilidade e trabalhabilidade adequadas a cada obra.
A escolha de um concreto convencional envolve o equilíbrio entre resistência mecânica, facilidade de aplicação e economia. Cada tipo de estrutura e condição de exposição ambiental exige uma dosagem específica, definida por profissional habilitado com base nas normas técnicas da ABNT.
Características e consistência
A consistência do concreto fresco é medida pelo ensaio de abatimento do tronco de cone, conhecido como slump test, padronizado pela ABNT NBR 16889:2020 (que substituiu a antiga NBR NM 67). O resultado indica a fluidez do material e influencia diretamente o transporte, o lançamento e o adensamento.
A ABNT NBR 8953:2015 classifica o concreto por classes de consistência, definidas pela faixa de abatimento: S10 (de 10 a 40 mm), S50 (de 50 a 90 mm), S100 (de 100 a 160 mm), S160 (de 160 a 220 mm) e S220 (igual ou maior que 220 mm). Concretos convencionais mais secos costumam se enquadrar nas classes de menor abatimento, enquanto misturas mais fluidas, próprias para bombeamento, situam-se nas classes S100 ou superiores.
Quanto à resistência, a NBR 8953 organiza os concretos estruturais em dois grupos: Grupo I, de C20 a C50, e Grupo II, de C55 a C100, sendo o número correspondente à resistência característica à compressão (fck) em megapascals (MPa). Concretos com classe inferior a C20 não são considerados estruturais.
Aplicações
- Fundações, blocos, sapatas e vigas baldrame.
- Pilares, vigas e lajes de edificações residenciais e comerciais.
- Pisos, contrapisos e pavimentos de baixo tráfego.
- Elementos de infraestrutura urbana em geral.
Execução e cuidados
Na obra, o concreto pode ser lançado diretamente das formas do caminhão-betoneira ou transportado por meio de carrinhos, gericas, gruas, elevadores ou bombas, conforme a consistência especificada. Concretos com abatimento muito baixo geralmente não são bombeáveis, exigindo transporte mecânico ou manual até o ponto de aplicação.
Independentemente do método, alguns cuidados são essenciais: adensamento adequado para eliminar vazios, controle do tempo entre a mistura e o lançamento, e cura eficiente nos primeiros dias para evitar a perda prematura de água e a formação de fissuras. A cura influencia diretamente o ganho de resistência e a durabilidade da estrutura.
Normas vigentes
O concreto convencional está sujeito a um conjunto de normas atualizadas: a ABNT NBR 8953:2015 (classificação por resistência e consistência), a ABNT NBR 12655:2022 (preparo, controle, recebimento e aceitação), a ABNT NBR 6118:2023 (projeto de estruturas de concreto) e a ABNT NBR 14931:2023 (execução de estruturas de concreto armado, protendido e com fibras). O cumprimento dessas normas assegura que o material atinja o desempenho previsto em projeto.
Mesmo sendo um concreto de uso corrente, requer estudo prévio de dosagem para determinar o traço mais econômico e seguro, com controle tecnológico durante a produção e a execução. A tendência atual, alinhada à agenda de descarbonização da construção, é otimizar traços e empregar cimentos com menor teor de clínquer, reduzindo a pegada de carbono sem comprometer a qualidade.
Fontes e referências
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Tipos de ConcretoDo convencional ao protendido, do auto-adensável ao rolado: conheça cada tipo de concreto e onde aplicá-lo.



