
O concreto colorido é obtido pela adição de pigmentos à mistura, geralmente incorporados no caminhão-betoneira logo após a dosagem dos demais materiais, ou já na central. Além do apelo arquitetônico, a cor também pode ter função prática em obra: associar uma tonalidade a determinada peça (por exemplo, um pilar de uma cor e um bloco de outra) ajuda a organizar a concretagem e a reduzir o risco de aplicar o concreto no local errado.
As cores obtidas são duráveis, mas o bom acabamento depende de cuidados com a homogeneidade da mistura, o adensamento, a qualidade das fôrmas e o momento de desforma. Quando bem executado, o concreto colorido oferece cor integrada à massa, e não apenas superficial, mantendo o efeito mesmo com o desgaste.
Pigmentos utilizados
Os pigmentos mais usados são os óxidos de ferro sintéticos, que produzem tons de vermelho, amarelo, laranja, marrom e preto, além do óxido de cromo (verde) e do dióxido de titânio (branco). Eles são preferidos por reunirem características essenciais para o uso em concreto:
- Alto poder de tingimento e boa cobertura mesmo em pequenas proporções.
- Resistência à alcalinidade do cimento, sem reagir com a matriz.
- Estabilidade à luz, aos raios UV e às intempéries, com baixa tendência ao desbotamento.
- Insolubilidade em água e inércia química, para não prejudicar as propriedades do concreto.
Dosagem e uniformidade da cor
A dosagem do pigmento é normalmente expressa como porcentagem em relação à massa de cimento. Teores baixos já produzem cores perceptíveis, e o aumento do teor intensifica a tonalidade até um ponto de saturação, a partir do qual não há ganho de cor. Como referência de mercado, é comum trabalhar com teores da ordem de poucos por cento sobre a massa de cimento, sempre validados por dosagem experimental.
- Pesar o pigmento: a dosagem deve ser feita em massa, nunca em volume, para garantir precisão.
- Manter constantes os insumos e as quantidades entre as betonadas, inclusive a quantidade de água, pois variações de traço, de materiais ou da relação água/cimento alteram a tonalidade.
- Usar o mesmo cimento e os mesmos agregados; a cor do cimento (mais claro ou mais escuro) influencia diretamente o resultado final.
- Garantir mistura homogênea, para evitar manchas e variações de cor na superfície.
Normas e referências
Os pigmentos inorgânicos para concreto e argamassa são materiais distintos dos aditivos químicos (regidos pela ABNT NBR 11768) e costumam ser avaliados por normas internacionais de referência, como a ASTM C979 e a EN 12878, que tratam de requisitos e estabilidade dos pigmentos. O concreto colorido, em si, deve atender às mesmas exigências de dosagem, controle e recebimento dos concretos convencionais, conforme a ABNT NBR 12655.
Aplicações e acabamentos
- Concreto aparente, fachadas, painéis e elementos arquitetônicos.
- Pisos, calçadas, praças e mobiliário urbano, muitas vezes associados a texturas e concreto estampado.
- Pré-moldados, blocos, pavers e telhas de concreto.
Cuidados e tendências
Para um bom resultado, recomenda-se cuidado com a vibração, com a estanqueidade e a limpeza das fôrmas, com a cura e com a desforma, além de proteção da superfície contra eflorescências. Entre as tendências, o concreto colorido acompanha o crescimento do concreto aparente e do design em superfícies cimentícias, e ganha espaço em pisos permeáveis e drenantes coloridos usados em soluções urbanas mais sustentáveis.
Fontes e referências
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