
Na linguagem de obra, dizer que o concreto está dando pega significa que ele começou a perder plasticidade, tornando-se mais difícil de lançar e adensar. Tecnicamente, a pega é a mudança gradual de estado das misturas com cimento e água (pastas, argamassas e concretos), que passam de uma condição plástica e moldável até deixarem de se deformar sob pequenos esforços, à medida que as reações de hidratação avançam.
O concreto com pega programada é a mistura de cimento e aditivos apropriados que, por meio de dosagens estudadas, permite conhecer e controlar o momento em que essa reação começa a enrijecer o material. Assim, é possível estender o tempo em que o concreto permanece trabalhável, adequando-o à logística e ao ritmo da concretagem.
Início e fim de pega
O tempo de pega é medido em ensaios padronizados, tradicionalmente com o aparelho de Vicat, aplicado à pasta de cimento. Definem-se dois marcos, contados a partir do contato do cimento com a água:
- Início de pega: momento em que a pasta começa a perder plasticidade e a oferecer resistência à penetração da agulha do Vicat.
- Fim de pega: momento em que a pasta praticamente não se deforma mais, marcando o início do endurecimento propriamente dito.
Nas normas brasileiras atuais de cimento Portland, o início de pega dos cimentos comuns deve ocorrer, em geral, após um tempo mínimo (da ordem de uma hora), e o fim de pega dentro de um limite máximo, com o processo completo levando, em média, algumas horas. A determinação dos tempos de pega segue a ABNT NBR 16607, e os requisitos por tipo de cimento constam na ABNT NBR 16697.
Como se controla a pega
O controle do tempo de pega é feito principalmente com aditivos químicos e com a escolha do cimento. Os aditivos retardadores e os estabilizadores de hidratação atuam sobre as reações iniciais do cimento, prolongando o período em que o concreto se mantém plástico; já os aceleradores reduzem esse tempo, quando o objetivo é ganhar resistência mais cedo.
- Aditivos retardadores (ABNT NBR 11768): adiam o início da pega, úteis em clima quente e transporte longo.
- Estabilizadores de hidratação: paralisam temporariamente a hidratação do cimento e permitem reativá-la de forma controlada, ampliando a janela de uso do concreto.
- Escolha do tipo de cimento e da relação água/cimento, além do controle da temperatura dos materiais.
Aplicações
- Concretagens com transporte a longas distâncias, em que o concreto precisa chegar trabalhável à obra.
- Lançamentos com grandes intervalos de tempo, evitando juntas frias entre camadas.
- Obras de grandes volumes e concreto-massa, em que se busca controlar também o calor de hidratação.
- Concretagens em clima quente, quando a pega tende a se acelerar naturalmente.
Não é indicado, sem estudo específico, para pisos industriais e outras aplicações que dependam de tempos de acabamento e de ganho de resistência bem definidos, pois nesses casos o controle da pega precisa ser dimensionado caso a caso.
Vantagens e tendências
O principal benefício é ampliar a janela de trabalhabilidade sem adicionar água na obra, o que preserva a resistência e a durabilidade do concreto, além de reduzir perdas por endurecimento precoce. Como tendência, os estabilizadores de hidratação também vêm sendo usados para reaproveitar o concreto residual e a água de lavagem das betoneiras, contribuindo para a redução de resíduos e para uma produção mais sustentável.
Fontes e referências
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Tipos de ConcretoDo convencional ao protendido, do auto-adensável ao rolado: conheça cada tipo de concreto e onde aplicá-lo.



