
Chamamos de concreto armado a estrutura de concreto que recebe em seu interior armaduras de aço. Essa combinação é uma das mais bem-sucedidas da engenharia: o concreto resiste muito bem à compressão, mas tem baixa resistência à tração, enquanto o aço apresenta excelente desempenho à tração. Trabalhando em conjunto, os dois materiais formam um compósito capaz de suportar os diferentes esforços que atuam nas construções.
A eficiência do concreto armado depende da aderência entre o concreto e as barras de aço, da compatibilidade entre seus coeficientes de dilatação térmica e da proteção que o concreto oferece contra a corrosão da armadura. Por isso, o cobrimento das barras e a qualidade do concreto são fatores decisivos para a durabilidade da estrutura.
Por que armar o concreto
As armaduras são indispensáveis em peças submetidas à flexão e à tração, como vigas e lajes, e também contribuem em pilares e fundações. Elas absorvem os esforços que o concreto sozinho não conseguiria resistir, controlam a fissuração e conferem ductilidade ao conjunto, permitindo que a estrutura avise antes de romper.
O projeto das estruturas de concreto armado é feito por engenheiros especializados, conhecidos como calculistas. São eles que determinam a resistência do concreto, a bitola do aço, o espaçamento entre as barras, o cobrimento e as dimensões das peças que farão parte da estrutura, como sapatas, blocos, pilares, lajes e vigas.
Vantagens
- Boa resistência à maioria dos esforços quando corretamente dimensionado.
- Versatilidade de formas, adaptando-se a diferentes projetos arquitetônicos.
- Durabilidade e resistência ao fogo superiores às de outros sistemas estruturais.
- Custo competitivo e ampla disponibilidade de materiais e mão de obra no Brasil.
Limitações e cuidados
Entre as limitações estão o peso próprio elevado, que penaliza vãos muito grandes, e a necessidade de formas e escoramentos. O principal risco à durabilidade é a corrosão das armaduras, provocada pela penetração de agentes agressivos como cloretos e pelo processo de carbonatação. Para combatê-la, a ABNT NBR 6118:2023 estabelece classes de agressividade ambiental, que definem o cobrimento mínimo e a qualidade do concreto conforme o ambiente de exposição.
Um bom projeto deve considerar todas as variáveis possíveis, e não apenas os preços unitários do aço e do concreto. Ao adotar uma resistência maior no concreto, por exemplo, é possível reduzir as dimensões das peças, diminuindo o volume final de concreto, o tamanho das formas, o tempo de desforma, a quantidade de mão de obra e o prazo da obra.
Normas vigentes
O projeto das estruturas de concreto armado é regido pela ABNT NBR 6118:2023, que cancelou e substituiu a edição de 2014. Entre as novidades, a norma passou a tratar de forma mais detalhada os concretos de resistência elevada, introduzindo um coeficiente redutor da resistência (ηc) para concretos acima de 40 MPa, além de reforçar as exigências de durabilidade, estabilidade global e análise de segunda ordem.
A execução é normatizada pela ABNT NBR 14931:2023, que ampliou os requisitos de inspeção, previu níveis diferenciados de controle e incorporou orientações sobre emendas mecânicas de barras. Somam-se a elas a ABNT NBR 12655:2022, para preparo e controle do concreto, e a ABNT NBR 8953:2015, para a classificação por resistência e consistência. O uso combinado dessas normas garante segurança e vida útil adequada às estruturas.
Entre as tendências recentes estão a busca por concretos mais sustentáveis, com menor emissão de carbono, e a digitalização dos projetos por meio de modelagem BIM, que melhora a compatibilização entre estrutura, instalações e arquitetura.
Fontes e referências
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Tipos de ConcretoDo convencional ao protendido, do auto-adensável ao rolado: conheça cada tipo de concreto e onde aplicá-lo.



