
Argamassa é uma mistura composta basicamente por um aglomerante (em geral cimento e/ou cal hidratada), agregado miúdo (areia) e água, à qual podem ser incorporados aditivos e adições para melhorar suas propriedades. Diferencia-se do concreto por não conter agregado graúdo, o que a torna mais trabalhável e adequada a camadas finas e ao acabamento.
Dependendo de características regionais, outros materiais já foram tradicionalmente empregados em sua composição, como o saibro, o barro e o caulim. Hoje, porém, o mercado oferece argamassas industrializadas de composição controlada, o que aumenta a previsibilidade de desempenho e reduz a chance de problemas na aplicação.
Aplicações
As argamassas cumprem diversas funções na construção civil:
- Assentamento de tijolos, blocos, azulejos, cerâmicas, pastilhas e pedras;
- Revestimento de paredes, pisos e tetos (chapisco, emboço e reboco);
- Regularização de superfícies, corrigindo buracos, ondulações e desníveis;
- Contrapisos, impermeabilização e rejuntamento.
Tipos de argamassa
As argamassas podem ser classificadas de diferentes formas:
- Quanto ao aglomerante: de cimento, de cal, ou mistas (cimento e cal), que combinam resistência e boa trabalhabilidade;
- Quanto à forma de preparo: preparadas em obra (viradas no canteiro) ou industrializadas, que chegam prontas para uso apenas com adição de água, e também dosadas em central;
- Quanto à função: de assentamento, de revestimento, de rejuntamento, colante (para cerâmica) e de contrapiso, entre outras.
Normas vigentes
A principal referência para argamassas de assentamento e revestimento passou por importante atualização. A ABNT NBR 13281, cuja versão anterior era de 2005, foi revisada e dividida em partes que entraram em vigor em 2023, sob o título Argamassas inorgânicas, requisitos e métodos de ensaios:
- Parte 1: argamassas para revestimento de paredes e tetos, com novas classificações (por exemplo, ARV-I, ARV-II e ARV-III);
- Parte 2: argamassas para assentamento e fixação de alvenaria.
A revisão introduziu ensaios como o módulo de elasticidade dinâmico e a variação dimensional, propriedades importantes para reduzir a ocorrência de fissuras e o descolamento do revestimento. Para argamassas colantes e de rejunte, aplicam-se ainda as normas específicas ABNT NBR 14081 e ABNT NBR 14992.
Cuidados na aplicação
A tecnologia das argamassas evoluiu bastante, colocando à disposição do mercado o produto ideal para cada aplicação. No momento de construir, vale a pena consultar as opções, comparando custos e benefícios de cada solução.
É importante lembrar que a mistura de cimento e água desencadeia uma série de reações químicas durante a pega e o endurecimento. Materiais de origem duvidosa podem conter elementos que interferem nessas reações e prejudicam a argamassa na aplicação, no acabamento ou na resistência final. Por isso, recomenda-se usar materiais de qualidade comprovada, respeitar o traço e o tempo de utilização e cuidar da cura, evitando a secagem rápida que provoca fissuras.
Também merecem atenção o preparo da base, que deve estar limpa e umedecida quando necessário, a espessura das camadas e a compatibilidade entre a argamassa e o substrato. Uma tendência recente é o uso de argamassas industrializadas e dosadas em central, que padronizam o desempenho, reduzem o desperdício de materiais no canteiro e facilitam o controle de qualidade em obras de maior porte.
Fontes e referências
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MateriaisCimento, agregados, aditivos, aço, argamassa, grout e formas — a matéria-prima de toda estrutura.


