Os agregados são materiais granulares, em geral quimicamente estáveis, de origem natural ou artificial, empregados na produção de concretos e argamassas de cimento Portland. Embora sejam muitas vezes chamados de material inerte, eles não são meros elementos de enchimento: representam cerca de 60% a 80% do volume do concreto e formam o esqueleto que confere resistência, estabilidade dimensional e economia à mistura.
A escolha e o controle dos agregados influenciam diretamente a trabalhabilidade do concreto fresco, a resistência mecânica, a durabilidade e o custo final da obra. Por isso, conhecer sua classificação, granulometria e os requisitos de qualidade exigidos pelas normas é fundamental para quem produz ou especifica concreto.
Classificação dos agregados
A forma mais comum de classificar os agregados é quanto à dimensão de suas partículas. Segundo a ABNT NBR 7211, o limite entre as duas categorias é a peneira de malha 4,75 mm:
- Agregado miúdo: partículas que passam pela peneira de 4,75 mm. O exemplo típico é a areia, natural (de rio ou cava) ou artificial (areia de britagem, obtida da moagem de rochas).
- Agregado graúdo: partículas que ficam retidas na peneira de 4,75 mm. Os exemplos mais usados são a brita (pedra britada) e o pedregulho ou seixo rolado.
Os agregados também podem ser classificados quanto à origem, em naturais (extraídos prontos da natureza, como areia de rio e seixo), artificiais ou industrializados (obtidos por britagem de rochas ou de processos industriais) e reciclados (provenientes do beneficiamento de resíduos de construção e demolição). Quanto à massa específica, ainda se dividem em leves, normais e pesados.
Granulometria e módulo de finura
A granulometria é a distribuição das partículas do agregado entre os diversos tamanhos, determinada por peneiramento conforme a ABNT NBR 17054, que substituiu a antiga NBR NM 248. A partir desse ensaio calcula-se o módulo de finura e a dimensão máxima característica, parâmetros que orientam a dosagem.
- Módulo de finura: soma das porcentagens retidas acumuladas nas peneiras da série normal, dividida por 100. Quanto maior o valor, mais grosso é o agregado.
- Dimensão máxima característica: corresponde à abertura de peneira em que fica retido acumulado 5% ou menos, em massa, do agregado.
Uma granulometria bem distribuída reduz os vazios entre as partículas, diminui o consumo de cimento e água e melhora a trabalhabilidade e a compacidade do concreto. Por isso, é comum combinar areias e britas de diferentes faixas para obter uma curva granulométrica contínua.
Requisitos de qualidade e normas vigentes
Para garantir concreto durável, os agregados precisam atender a requisitos de qualidade que limitam a presença de substâncias nocivas, como torrões de argila, material pulverulento (finos que passam na peneira 0,075 mm), matéria orgânica, cloretos e sulfatos. As principais referências normativas brasileiras são:
- ABNT NBR 7211 (edição de 2022): requisitos para agregados destinados à produção de concreto de cimento Portland.
- ABNT NBR 9935: terminologia dos agregados empregados em concretos e argamassas.
- ABNT NBR 17054: método de ensaio para determinação da composição granulométrica.
É importante armazenar os agregados de forma a evitar contaminação por solo, poeira ou materiais estranhos, e mantê-los separados por faixa granulométrica. A umidade da areia deve ser controlada, pois altera a relação água/cimento efetiva e, com ela, a resistência do concreto.
Sustentabilidade e agregados reciclados
A extração de areia e brita gera impacto ambiental e, em muitas regiões, os custos de transporte pesam no orçamento. Nesse contexto, ganham espaço os agregados reciclados, obtidos do processamento de resíduos de construção e demolição classe A. A ABNT NBR 15116, revisada em 2021, passou a admitir o uso desses agregados inclusive em concretos com função estrutural, respeitados limites de substituição e classes de agressividade ambiental.
O emprego de agregados reciclados e de areia de britagem contribui para a economia circular na construção civil, reduz a demanda por jazidas naturais e dá destino adequado a resíduos que antes iam para aterros. A tendência, para os próximos anos, é a ampliação do uso desses materiais, sempre acompanhada de controle tecnológico rigoroso.
Fontes e referências
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MateriaisCimento, agregados, aditivos, aço, argamassa, grout e formas — a matéria-prima de toda estrutura.



