
Os aditivos são produtos químicos adicionados ao concreto, em pequenas quantidades em relação à massa de cimento, com o objetivo de modificar propriedades da mistura no estado fresco ou endurecido. Ausentes nos primeiros passos do desenvolvimento do concreto, hoje são de fundamental importância, a ponto de muitos os considerarem o quarto componente essencial ao lado do cimento, da água e dos agregados.
Empregados corretamente, eles permitem produzir concretos mais fluidos, mais duráveis e adequados a cada situação de obra, muitas vezes reduzindo o consumo de água e de cimento e melhorando a relação custo-benefício.
O que os aditivos podem fazer
Entre os principais efeitos que se pode obter com o uso de aditivos estão:
- Aumentar a fluidez e a trabalhabilidade, chegando aos concretos autoadensáveis, que dispensam vibração;
- Reduzir a quantidade de água de amassamento, elevando a resistência e a durabilidade;
- Retardar ou acelerar o tempo de pega, conforme a necessidade da concretagem;
- Controlar o calor de hidratação, importante em peças de grande volume;
- Incorporar ar, melhorando a resistência ao gelo e degelo e a coesão da mistura.
Tipos de aditivos
A norma ABNT NBR 11768, atualmente publicada em partes (a Parte 1, de requisitos, é de 2019), organiza os aditivos por função em designações normativas, que substituem os nomes puramente comerciais. Os principais grupos são:
- Redutores de água / plastificantes: reduzem a água necessária, aumentando a trabalhabilidade sem perder resistência;
- Superplastificantes (redutores de água de alta eficiência): à base de policarboxilatos de última geração, proporcionam grande redução de água e são a base dos concretos autoadensáveis e de alto desempenho;
- Aceleradores de pega e de resistência: antecipam o endurecimento e o ganho de resistência inicial;
- Retardadores e controladores de hidratação: prolongam o tempo de trabalhabilidade, úteis em transporte longo e concretagens em clima quente;
- Incorporadores de ar, modificadores de viscosidade e redutores de retração: ajustam coesão, estabilidade e fissuração.
Termos como polifuncional, hiperplastificante ou inibidor passaram a ser designações comerciais; tecnicamente, o que vale é a função definida pela norma e o desempenho comprovado em ensaio.
Cuidados no uso
A utilização de aditivos requer critério. Não é exagero compará-los a remédios: usados na dose certa, trazem benefícios; na dose errada, podem prejudicar o concreto. Por isso, é essencial respeitar a dosagem indicada pelo fabricante, o momento e a forma corretos de adição, o prazo de validade e as condições de armazenamento.
As empresas que prestam serviços de concretagem dispõem de equipamentos dosadores e controle tecnológico para extrair o melhor desempenho dos concretos aditivados. Também é recomendável realizar ensaios prévios de compatibilidade entre o aditivo e o cimento utilizado, já que a interação entre eles pode variar.
Tendências
A evolução dos aditivos é constante. Já existem produtos capazes de interromper temporariamente a hidratação do cimento (aditivos estabilizadores ou controladores de hidratação), permitindo, na prática, colocar o concreto em espera e reativá-lo posteriormente com a adição de material fresco. A tendência atual aponta para aditivos cada vez mais eficientes e alinhados à sustentabilidade, que reduzem o consumo de cimento e a emissão de CO2 associada ao concreto.
Fontes e referências
Continue explorando
MateriaisCimento, agregados, aditivos, aço, argamassa, grout e formas — a matéria-prima de toda estrutura.


