
Falar em controle tecnológico do concreto significa, antes de tudo, falar do controle dos materiais que compõem a mistura. Boa parte das patologias que afetam o concreto tem relação direta com a falta de qualidade ou com o uso inadequado desses materiais. Por isso, entender o assunto é essencial antes de iniciar qualquer concretagem: economizar no controle costuma sair caro depois.
O controle tecnológico acompanha o concreto em suas duas fases, o estado fresco, logo após a mistura, e o estado endurecido, quando a resistência já se desenvolveu. Ele envolve a caracterização dos materiais, o estudo da dosagem e a verificação do produto final, formando um ciclo que garante a qualidade especificada em projeto.
Ensaios dos materiais componentes
A ABNT NBR 12654 (Controle tecnológico de materiais componentes do concreto) trata dos ensaios que devem ser feitos no cimento, nos agregados, na água e nos aditivos. Como é praticamente impossível encontrar materiais totalmente isentos de substâncias nocivas, as normas cumprem papel fundamental ao estabelecer os limites de tolerância aceitáveis para cada elemento, evitando que impurezas comprometam a mistura.
Dosagem experimental e recebimento
A ABNT NBR 12655 (Concreto de cimento Portland - preparo, controle, recebimento e aceitação), atualizada em sua versão de 2022, é a principal norma de procedimento do concreto estrutural. Ela determina que, para concretos de classe C20 (20 MPa) ou superior, seja realizado um estudo de dosagem racional e experimental, usando os mesmos materiais que serão empregados na obra. Esse estudo permite calcular a resistência de dosagem levando em conta a variabilidade do preparo.
A contratação de um laboratório qualificado para esses ensaios é fundamental para quem produz o próprio concreto na obra. No caso de quem compra concreto dosado em central, os ensaios dos materiais e a dosagem experimental já fazem parte das responsabilidades da central. Ainda assim, o comprador pode realizar ensaios paralelos ou solicitar os resultados dos ensaios feitos pela concreteira.
Ensaios no concreto fresco e endurecido
Além da caracterização dos materiais e da dosagem experimental, o controle tecnológico prevê ensaios em amostras retiradas do concreto. Entre os principais estão:
- Ensaio de abatimento do tronco de cone (slump test), que verifica a consistência e a trabalhabilidade do concreto fresco na chegada à obra.
- Moldagem de corpos de prova e ensaio de resistência à compressão, geralmente aos 28 dias, para comprovar a resistência característica especificada (fck).
- Verificação de temperatura, teor de ar e outras propriedades, conforme a exigência de cada obra.
Com esses procedimentos, fecha-se o ciclo de cuidados necessários para manter constante a qualidade do concreto. Os resultados servem tanto para acompanhar a produção quanto como base para a aceitação ou não do material recebido.
Por que o controle vale a pena
Um controle tecnológico bem feito reduz riscos de falhas estruturais, evita retrabalho e desperdício, prolonga a vida útil da construção e dá segurança jurídica a construtores e fornecedores. Mais do que uma exigência normativa, é um investimento na durabilidade e na segurança da obra.
Fontes e referências
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FundamentosO que é concreto e cimento, sua origem, tipos de cimento e noções básicas para começar do jeito certo.



