
O controle tecnológico do concreto é o conjunto de ensaios, medições e procedimentos que verifica se o material entregue e aplicado na obra atende ao que foi definido em projeto. Ele acompanha o concreto desde a dosagem, passando pelo recebimento na obra, até a comprovação da resistência no estado endurecido, garantindo segurança estrutural, durabilidade e economia.
A principal variável de projeto é a resistência característica do concreto à compressão (fck), definida na ABNT NBR 6118:2023 (Projeto de estruturas de concreto) e expressa em megapascal (MPa). Um pascal corresponde à pressão de uma força de 1 newton distribuída uniformemente sobre 1 metro quadrado; 1 MPa equivale a 1 milhão de pascals, ou aproximadamente 10,2 kgf/cm². Assim, um concreto de fck 30 MPa possui resistência da ordem de 306 kgf/cm².
Por que o fck é tão importante
O valor da resistência característica é dado essencial em várias etapas da obra:
- Na cotação do concreto, pois o preço do metro cúbico varia conforme o fck, a classe de abatimento (slump), o uso de adições e aditivos.
- No recebimento na obra, quando o fck e o abatimento especificados devem constar da nota fiscal e ser conferidos antes da descarga.
- No controle de qualidade, por meio dos ensaios de resistência à compressão que comprovam o desempenho contratado.
Ensaios e normas vigentes
O controle tecnológico se apoia em um conjunto de normas da ABNT, que foram atualizadas nos últimos anos. É importante trabalhar sempre com as versões em vigor:
- Consistência pelo abatimento do tronco de cone (slump test): ABNT NBR 16889:2020, que cancelou e substituiu a antiga NBR NM 67:1998.
- Moldagem e cura de corpos de prova cilíndricos: ABNT NBR 5738:2015.
- Ensaio de compressão de corpos de prova cilíndricos: ABNT NBR 5739:2018.
- Preparo, controle, recebimento e aceitação do concreto: ABNT NBR 12655:2022.
- Classificação por classes de resistência e de consistência: ABNT NBR 8953.
No ensaio de compressão, o corpo de prova cilíndrico é capeado ou retificado e colocado em uma prensa, recebendo carga contínua e sem choques, a uma velocidade controlada, até a ruptura. A força máxima é dividida pela área da seção do corpo de prova, obtendo-se a resistência, que é então convertida para MPa. Os corpos de prova são rompidos, em geral, aos 28 dias, idade de referência para o fck, embora também sejam usadas idades menores para acompanhamento.
Controle de resistência e aceitação
A ABNT NBR 12655:2022 define como planejar a amostragem, quantos exemplares moldar por volume de concreto e como calcular a resistência característica estimada (fck,est). O controle pode ser feito por amostragem parcial ou total, conforme o porte e a responsabilidade da obra. O concreto é aceito quando o fck,est resulta igual ou superior ao fck especificado em projeto; caso contrário, a estrutura passa por uma avaliação complementar antes de qualquer decisão.
Evolução e tendências
O concreto foi o material que mais evoluiu dentro das estruturas. Cálculos que antes partiam de 18 MPa hoje convivem com concretos de alto desempenho acima de 100 MPa produzidos no Brasil. A ABNT NBR 8953 organiza esse universo em grupos de resistência, o que amplia as opções do projetista, permite pilares e vigas mais esbeltos, obras mais rápidas e estruturas mais leves.
Além dos ensaios tradicionais, ganham espaço técnicas de monitoramento contínuo, como o método da maturidade, que estima a resistência no local a partir da temperatura registrada por sensores embutidos na peça. Aliadas a plataformas digitais, essas ferramentas apoiam decisões de desforma e liberação de etapas com mais segurança, sem substituir o controle normativo por corpos de prova.
Fontes e referências
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Controle TecnológicoConsistência, efeitos da temperatura, aceitação da estrutura e os ensaios que garantem a qualidade.


