Pular para o conteúdo
Controle Tecnológico

Consistência do Concreto (Slump)

Consistência e trabalhabilidade do concreto: o que são, como funciona o ensaio de abatimento (slump) pela ABNT NBR 16889:2020 e os cuidados na aplicação.

Conteúdo revisado em julho de 2026

Consistência do Concreto (Slump)

A consistência é um dos principais fatores que influenciam a trabalhabilidade do concreto, mas os dois conceitos não se confundem. A consistência é uma propriedade do próprio concreto fresco, ligada à mobilidade da massa e à coesão entre seus componentes. Ao alterar a quantidade de água e a proporção dos materiais, muda-se a plasticidade e, com ela, a facilidade de deformação da mistura sob esforço.

A trabalhabilidade, por sua vez, depende da consistência somada às condições da obra e aos métodos de transporte, lançamento e adensamento. Um mesmo concreto pode ser adequado em uma situação e impróprio em outra, como veremos adiante.

O ensaio de abatimento (slump test)

O método mais utilizado para avaliar a consistência é o ensaio de abatimento do tronco de cone, popularmente chamado de slump test. No Brasil, o procedimento é normalizado pela ABNT NBR 16889:2020, que cancelou e substituiu a antiga NBR NM 67:1998 e passou a ser a referência vigente.

O ensaio segue as etapas básicas:

  • Umedecer o molde tronco-cônico (base de 200 mm, topo de 100 mm e altura de 300 mm) e apoiá-lo sobre uma placa plana e rígida.
  • Preencher o molde com concreto em três camadas de alturas aproximadamente iguais, aplicando 25 golpes com a haste de socar em cada camada.
  • Rasar o topo, retirar o molde erguendo-o na vertical, com cuidado e sem movimentos laterais.
  • Medir imediatamente a diferença entre a altura do molde e a altura do concreto assentado. Esse valor, em milímetros, é o abatimento.

Quanto maior o abatimento, mais fluida é a mistura. A ABNT NBR 8953 organiza os resultados em classes de consistência identificadas pela letra S seguida do abatimento em milímetros, o que padroniza a especificação e o pedido do concreto conforme a aplicação.

Consistência não é sinônimo de bom desempenho

Um concreto com abatimento de 60 mm pode ser excelente para um piso e, ao mesmo tempo, um desastre em um pilar densamente armado, onde a mistura não preenche adequadamente as formas entre as barras. A consistência é a mesma, mas a trabalhabilidade exigida por cada peça é diferente. Por isso o abatimento deve ser escolhido em função da geometria da peça, da taxa de armadura e dos equipamentos de lançamento e adensamento disponíveis, como bombas e vibradores.

O erro de adicionar água na obra

Diante de uma aplicação difícil, é comum surgir o pedido para acrescentar água ao concreto. Essa prática deve ser evitada: a relação água/cimento é determinante para a resistência e a durabilidade, e adicionar água no canteiro a eleva sem controle, reduzindo a resistência, aumentando a porosidade e favorecendo fissuras e a corrosão das armaduras.

Quando é necessário aumentar a fluidez sem prejudicar o desempenho, o caminho correto é o uso de aditivos plastificantes ou superplastificantes, sempre com dosagem definida pela central de concreto. As centrais dosadoras contam com profissionais habilitados para indicar a classe de consistência mais apropriada a cada situação e para ajustar a mistura preservando a relação água/cimento.

Vale lembrar que o abatimento é também um critério de recebimento: o resultado medido na obra deve estar dentro da faixa especificada e da tolerância indicada na nota fiscal. Valores fora do previsto podem indicar excesso de água ou perda de consistência durante o transporte e justificam a recusa da carga.

Continue explorando

Controle Tecnológico

Consistência, efeitos da temperatura, aceitação da estrutura e os ensaios que garantem a qualidade.